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A Importância da Música nas Escolas

A educação física desenvolve o físico enquanto a música desenvolve a mente, equilibra as emoções proporcionando paz de espírito, na qual o indivíduo se pode concentrar melhor em qualquer campo de pesquisa e do pensamento filosófico.

Aulas de música na infância realmente desenvolvem o cérebro. Pesquisadores alemães descobriram que a área do cérebro utilizada para analisar tons musicais é, em média 25% maior nos músicos. Quanto mais cedo começar o treino musical maior a área do cérebro desenvolvida. Depois de aprenderem as notas musicais e divisões rítmicas os estudantes de música tiveram notas 100% maiores que seus companheiros que tiveram aulas de frações pelos métodos tradicionais.

A Universidade da Califórnia em Irvine descobriu que após seis meses tendo aulas de piano, crianças pré-escolares tiveram desempenho 34% melhor em testes de raciocínio tempero-espacial que aquelas que não tiveram, nenhum treino ou aquelas que tiveram aulas de informática.

Pesquisadores acreditam que a música é uma forma superior de ensinar os estudantes primários o conceito de frações. Crianças que estudam música saem-se melhor na escola e na vida, normalmente recebem notas mais altas nos testes de aptidão escolar.

Alunos adolescentes, em colégios com regime de internato, que estudaram música obtiveram 52 pontos mais na parte verbal de seus testes de aptidão escolar e 37 pontos a mais em matemática (89 pontos combinados) que aqueles sem instrução em música.

Platão disse uma vez que a música é “um instrumento educacional mais potente do que qualquer outro”. Agora os cientistas sabem por quê. A música, eles acreditam, treina o cérebro para formas superiores de raciocínio.

Na mesma universidade, estudaram o poder da música observando dois grupos de crianças em idade pré-escolar. Um grupo teve lições de piano e cantava diariamente no coro. Após oito meses, as crianças musicadas, de três anos de idade eram experts no domínio de quebra-cabeças, atingindo desempenho 80% superior ao que seus colegas conseguiram em inteligência espacial – habilidade de visualizar o mundo de uma maneira real.

Segundo um estudo conduzido na Universidade do Texas, alunos de música em idade escolar têm menos problemas com álcool e drogas, são emocionalmente mais saudáveis e se concentram melhor que seus colegas não músicos.

Vendo toda a problemática acima descrita percebemos que já é hora de entendermos a importância da música nas escolas.

Colaboração de Gerson Gorski Damaceno
Revista ABEMÚSICA

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A Importância da Música nas Escolas2018-12-16T13:29:51+00:00

Nas Vibrações, a Saúde

Já reparou como ninguém consegue ficar parado ao ouvir uma música, qualquer que seja seu ritmo? Em um primeiro momento, pode-se apenas escutar. Pouco depois, já se sente o pulsar do som, que parece ecoar dentro do corpo. Mais alguns instantes e vem a vontade de fazer um movimento, pequeno que seja. Pronto. A música acabou de tomar conta de toda estrutura física e mental. Acontece a comunicação não-verbal.

O instrumento da musicoterapia, como o nome já diz, é exatamente a música e todos os elementos que a constituem: o ritmo, a melodia e a harmonia. A partir dessa invasão musical, é possível trabalhar com as sensações, a psicomotricidade, o emocional, enfim, com o corpo e a mente de adultos e crianças.

A musicoterapeuta Márcia Godinho explica que, em crianças deficientes ou com problemas emocionais, a música age em três níveis: biológico, psicológico e social. “O som é capaz de promover estímulos e alcançar o ponto onde a linguagem verbal muitas vezes não consegue chegar.” Em crianças hipertónicas, ou seja, rígidas (devido a uma paralisia cerebral, por exemplo), o som proporciona relaxamento, que faz cessar a dor e torna o movimento (com o auxílio do terapeuta) mais harmónico. Também equilibra o ritmo e a respiração, ajudando mais ainda no controle físico. Com música e movimento, o pequeno adquire autoestima, confiança e sente prazer.

Se a criança consegue cantar, é sinal de que já ordena determinadas estruturas psíquicas, pois o canto exige diversas associações mentais. As oscilações sonoras também auxiliam os pequeninos com problemas de fala. Mas todos esses processos só ocorrem se houver um entrosamento entre a criança e o musicoterapeuta.

“É importante traçar o retrato sonoro da criança, descobrir qual seu estilo de música preferido, para que possa ser estabelecida uma comunicação terapêutica”

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Nas Vibrações, a Saúde2018-12-16T13:15:49+00:00

Música desde Sempre

Tantos benefícios podem fazê-lo desejar que seu filho se transforme em um Beethoven. Pode ser que ele se torne realmente um músico, mas apenas se tiver vocação e, acima de tudo, paixão. Mas a educação musical e a convivência com sons são importantes em todo o desenvolvimento da criança, e devem ser estimuladas desde que ela nasce. As canções de embalar e outras rimas sonoras podem ser um bom começo.

Bia Paes Leme, que acha fundamental a “musicalização” caseira, dá algumas dicas: “Se alguém da casa sabe música e tem um instrumento, basta reservar um tempinho para brincar com a criança. Se ninguém entender do assunto, que tal aprenderem juntos?” A invenção de instrumentos a partir do coco, das panelas e das caixinhas é outra forma de estimular a criatividade e, informalmente, apresentar a música ao pequenino.

Hoje, com a ajuda dos programas de computador, é possível estar no meio de uma orquestra e fazer de conta que cada instrumento é um bicho da floresta. “Mas o melhor mesmo é fazer uma analogia baseada no real, dando nomes e explicações, porque crianças são curiosas e adoram aprender o que é cada coisa, de verdade”.
Nem precisa dizer que o contacto formal com a música não deve ser forçado, mas acontecer a partir de um desejo da própria criança. Permita que seu filho experimente sem ter medo de não gostar ou de decepcionar a família. Ao invés disso, procure fazer da música parte da sua vida, deixe que as vibrações sonoras tenham efeito sobre você, e cante. Cante no banheiro, na cozinha, no carro, na rua. Afinal, quem canta…

Andréa Boechat
Revista Pais e Filhos

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Música desde Sempre2018-12-16T13:25:00+00:00

Músicas e Canções para Estimular Habilidades

É automático! Quando pegamos num bebé imediatamente começamos a embalá-lo, cantarolando alguma coisa. A música seja na forma de canções rituais ou de cantigas de ninar, está presente no contacto entre mães e bebés de todas as culturas do planeta. Mais do que um artifício para acalmar a criança ou fazê-la dormir, a música é componente indispensável nessa delicada relação. E também um importante instrumento para o desenvolvimento do bebê, como todas as mães do mundo parecem saber intuitivamente.

Conotação emocional. O ouvido humano concentra não só as funções auditivas como também é responsável pelo equilíbrio dos nossos movimentos. Daí o impacto sensorial que a música exerce sobre o corpo, e o poder dos diferentes ritmos de estimular as habilidades motoras e as perceções de tempo e espaço. Para os bebés, os sons e os ritmos, quando usados como acalento, envolvem ainda inúmeros benefícios de conotação emocional e afetiva.

Músicas suaves e relaxantes envolvem o bebê num clima de bem-estar e tranquilidade e podem ser usadas para acalmá-lo, enquanto as músicas mais agitadas funcionam muito bem como “trilha sonora” para marcar momentos de brincadeira e alegria. Com essa indução, aos poucos sua criança se habituará a usar música como uma nova e poderosa linguagem capaz de modular e espelhar seus sentimentos: “Bebês que crescem em diálogo constante com a música tendem a se tornar pessoas menos ansiosas, mais confiantes e equilibradas”, garante a educadora Josete Feres.

Música e desenvolvimento. Os efeitos da estimulação musical precoce em crianças estão sendo avaliados em pesquisas científicas. Os dados ainda não são conclusivos, mas profissionais ligados à música, educação, psicologia e medicina vêm concordando que os pequenos têm muito a ganhar, além da mera perceção auditiva mais subtil e aguçada.

Estudos sobre a relação entre música e inteligência, por exemplo, mostram que crianças em idade escolar melhoram o desempenho em matemática com o aprendizado de um instrumento. Entre três e quatro anos, a habilidade espacial e a coordenação motora global se ampliam com aulas de piano. No que diz respeito aos bebés, a avaliação dos resultados é prejudicada pela barreira da comunicação, mas muitas pesquisas já apontam indícios de que eles são mais sensíveis à música do que se imaginava. Uma delas, realizada por Norman Weinberger, professor de Psicologia e Ciências Cognitivas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, provou que já aos quatro meses os bebés identificam erros propositados em melodias que lhes são familiares. O psicólogo americano dedica-se atualmente a estruturar um centro de pesquisas inteiramente voltado ao estudo da influência da música sobre o funcionamento cerebral.
Baseado na constatação de que o cérebro possui estruturas específicas para processar as ondas sonoras de natureza musical, Weinberger defende a tese de que a música não se resume a diversão e arte – é uma capacidade biológica que precisa ser estimulada, desde muito cedo, para possibilitar um desenvolvimento completo. O consenso entre os profissionais é de que não existe idade para começar. Muitos até defendem a estimulação do bebê ainda dentro do útero, dois meses antes do nascimento, quando sua audição está formada.

Questão de gosto. Você, mamãe, pode ajudar nesse processo, em casa mesmo. O primeiro passo é simplesmente deixar a música rolar. Qual música fica a seu critério. Não há necessidade de escolher “música para bebê”. Alguns pediatras e psicólogos aconselham a música clássica, mas se o género não for de seu agrado, esqueça. Seu estado de espírito tem muito mais influência sobre o ânimo do bebê do que a mais delicada das sinfonias.

Na verdade, o tipo de música não faz diferença, principalmente para os bebés mais novinhos. O importante é que ela esteja sempre presente, sem cair no exagero de transformar a casa num elevador de escritório, com aquela música de fundo baixinha e constante que, em vez de estimular a perceção, acaba virando um ruído a mais em meio a tantos outros. A música funciona bem quando apresentada num contexto especial, integrando outras atividades, como o brincar e o dançar.

O contacto com o som. Outras alternativas são os brinquedo sonoros e os instrumentos feitos especialmente para crianças. Não espere, entretanto, que seu filho saia logo tocando alguma coisa. O mais provável é que pianinhos, tambores e xilofones sejam apenas “castigados” por ele. Mesmo assim, estarão desempenhando um papel importante na preparação dos circuitos cerebrais da sua criança para a música. Na hora de escolher, dê preferência àqueles feitos especialmente para bebés, com materiais de sonoridade suave, sem arestas e pontas perigosas.

O controle da voz. Não esqueça, porém, que o melhor instrumento que o bebê possui e precisa aprender a dominar é a própria voz. Estimule-o a conseguir isso, cantando para e com ele. Vale tudo, das cantigas de ninar tradicionais aos sucessos do momento, incluindo as músicas infantis com imitações de sons do quotidiano e de vozes de animais. Todo estímulo sonoro é positivo, e as tentativas que seu filho fizer de reproduzir os sons vão, com o tempo, ajudá-lo a descobrir a própria voz e seu jeito particular de cantar. E quanto mais cedo a criança aprende a cantar, menores as chances de que venha a ser um adulto desafinado, já que aprendeu a ouvir e modular sua voz. Se você precisa de mais inspiração para sair por aí fazendo duetos com seu bebê, basta lembrar os muitos quadrinhos musicados, como “Serra, serra, serrador” e “Upa, upa, cavalinho”, de origem folclórica, que aproximam gerações nessa troca cadenciada de alegria, afeto e carinho.

Discoteca Básica – Algumas dicas para você montar uma seleção musical ao gosto do bebé:
Melodias simples: Muitos compositores vêm se especializando na criação de reportórios voltados para bebés. Geralmente são melodias simples e repetitivas, semelhantes às das caixinhas de música. Mas é bom saber que o bebê pode acabar se sentindo incomodado pela monotonia.
Os clássicos: A música clássica costuma ser uma boa opção, desde que você também aprecie o género. Deixe de lado as peças excessivamente tensas e dramáticas, como algumas sinfonias de Beethoven e Wagner, e aposte nos compositores de música leve e ligeira como Mozart.
Letras fáceis: Quando o bebê estiver aprendendo a falar, escolha músicas de melodias simples e letras fáceis, para que ele possa compreender e decorar.

Revista Crescer

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Músicas e Canções para Estimular Habilidades2018-12-16T13:25:19+00:00

Tenho Dom ou Não?

Qual é o segredo dos músicos? Será um “dom natural” para determinadas pessoas ao passo que falta deliberadamente em outras? Determinação por si só é o bastante? Por que tantos tentaram e não chegaram a um nível satisfatório?

Estas questões são comuns. As respostas, contudo, nem sempre são plausíveis. Quem espera, lendo esta matéria, soluções prontas e fórmulas padronizadas para as indagações acima, irão ter uma deceção.

É bem verdade que nosso espírito consumidor nos estimula ao comodismo. Acostumamo-nos a ir ao supermercado, escolher o produto na prateleira, pagar seu preço e irmos embora para casa devorá-lo. Em matéria de arte isso é impossível. O caminho lógico a seguir é o da “dedicação” e esta por sua vez, é intransferível.

Tenho dom ou não?

Dom é dádiva, mérito, merecimento, dote natural, aquilo que se herda do nascimento. Ter ou não ter dom musical é sempre um referencial para fadar o destino de um aprendiz. Mas o que é de facto esse “dom musical?” São duas as propriedades básicas de um recém-nascido, saber: pureza e insciência. Ninguém nasce sabendo nada. Todos têm de passar pela fase de aprendizagem. Ocorre que o simples fato de gostar de música é um dom. Entender a variedade dos tons é outro. Não menos importantes são os dons de domínio prático das fórmulas teóricas (incluindo matemática), agilidade corporal (da parte que se usa para tocar o instrumento), paciência, persistência, disciplina entre tantos outros. É imprescindível, portanto, ter não um, mas vários dons. O dom de “saber música” simplesmente não existe. Nem é transferível geneticamente. Desta forma, um descendente de um grande músico teria grandes chances de ser outro bom músico pela vantagem de já estar cercado de música, incentivo, material acessível e um professor em casa. Mas não herdaria um só gene de conhecimento. Ele terá de passar pelo mesmo bê-á-bá dos demais.

Teoria ou prática?

Outra briga — desnecessária, por sinal — é quanto a definição do que teria supremacia, teoria ou prática? Ambos, perentoriamente. Ao iniciar o estudo, faça-o usando a mesma medida para a prática e a teoria. Um distúrbio comum é pegar certos “vícios” no início que mais tarde poderão se transformar em grandes entraves. A teoria ensina, a prática corrige.

Há que se ter disciplina

É preciso dar crédito ao estudo e ser disciplinado. É regra que quando o aluno se sentir no nível ou superior ao nível do seu instrutor é hora dele deixar a sala de aula. Em muitos casso isso ocorre apenas na pretensão de quem está aprendendo ou quando ele perde a confiança no mestre. O mesmo se dá até quando o professor é um livro. O aprendiz começa a pular páginas e subestimar certas regras e dicas recomendadas ao longo do curso. Sabe aqueles exercícios ridículos que mais parecem ensaios para teatro infantil? Eles funcionam. Seja disciplinado.
Uma constatação relevante é a resistência que muitas pessoas fazem em cima de uma teoria que corrige um estudo anterior. Alguém que aprendeu ao longo da vida que respirar (erradamente) é secar a barriga e encher o peito na hora de captar oxigénio tem dificuldades de adotar uma nova ordem disciplinadora. Desta forma, é mais cómodo para o mestre trabalhar com os principiantes.

E o tempo passa…

Você já sentiu algo parecido ao que sentiu um iniciante de técnico de hardware depois de concertar o primeiro computador? Executar dois ou três compassos e as pessoas em seu redor reconhecerem imediatamente a música é a mesma sensação. Só que isso pode demorar o suficiente para desestimular o iniciante e comprometer a certeza de sua vocação. Pensando nisso, uma técnica usada para o instrutor motivar o aluno é fazê-lo executar pequenos trechos práticos de músicas conhecidas, ligando uma sequência de notas a vários exemplos.
Pressa é uma prerrogativa dos tempos modernos. Todo mundo tem. Por trás dela está algo camuflado: impaciência. Uma coisa é você ter que fazer as coisas rapidamente pela própria exigência da natureza e outra é não ter paciência. Desejar dominar música o mais depressa possível não é errado. Mas neste caso, não há carência de urgência — a menos que se esteja a caminho da cadeira elétrica.
Importar-se com o tempo demasiadamente só vai atrapalhar. Todos os meus alunos me perguntam no primeiro dia de aula “quanto tempo vou demorar para aprender”. Respondo perguntando: “Se eu disser dez anos vais desistir?”. Se ele desistir a década passará tenha ele aprendido ou não. E no décimo ano ele lamentará não ter continuado.

Acessibilidade

Nos tempos de Mozart, Beethoven ou Sebastian Bach música era destinada aos nobres. Até mesmo dar uma espreitadela a um instrumento musical era digno de cerimônia. Nunca foi tão acessível aprender música e praticar instrumentos. Talvez por isso se deu a banalização e hoje em dia proliferam os assaltantes dizendo-se “artistas musicais”.
No entanto, a geração atual o tem e você é mais uma esperança para que a Música — pura arte — possa ser bem explorada. Não desperdice sua chance.

In filomusicologia.hpg.com.br

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Tenho Dom ou Não?2018-12-16T13:02:14+00:00

Musicoterapia

Lisboa, 06 Abr (Lusa)

A música clássica, o hip hop, o rock, o pop e até a “pimba” podem ser utilizadas em tratamentos de musicoterapia em patologias tão diferentes como a depressão, a toxicodependência ou os acidentes vasculares cerebrais.

Apesar de ser uma terapêutica recente em Portugal, a musicoterapia – uma forma de intervenção que utiliza a música, os sons e os ritmos para tratar diversas patologias – começa a ser cada vez mais procurada pelas pessoas.

Em entrevista à agência Lusa, a presidente da Associação Portuguesa de Musicoterapia (APM), Teresa Leite, explicou o que é esta terapêutica, as etapas dos tratamentos e a evolução que tem tido em Portugal.

Licenciada em psicologia e musicoterapia, formação que obteve nos Estados Unidos, Teresa Leite referiu que se trata de uma terapêutica recente em Portugal, apesar de o interesse “estar cá desde os anos 1960”.

“Em Portugal o interesse surgiu nos anos 1960 e tal como no estrangeiro, começou na psiquiatria com doentes profundos e mais tarde com pessoas ligadas à educação musical que trabalhavam com crianças deficientes e autistas”, disse.

Com o aparecimento de cursos na Madeira nos anos 1990, com a realização de seminários e a partir de 2000 com os cursos de especialização na Faculdade de Motricidade Humana, Universidade Lusíada, em Lisboa, e na Escola Superior de Educação, no Porto, a musicoterapia foi ficando conhecida, suscitando o interesse de profissionais ligados às mais diversas áreas.

Sendo uma disciplina de intervenção terapêutica, a musicoterapia já começa a ser uma profissão em Portugal, apesar de não estar classificada como tal.

“A musicoterapia é a utilização do som, da música num plano com objectivos terapêuticos, junto de pessoas que apresentam algum tipo de problemática, que precisam de ser ajudadas e que mostram sinais de beneficiarem de uma ajuda através da música”, explicou a responsável.

O tratamento, adiantou Teresa Leite, pode ser feito através da escuta ou da prática musical, consoante o tipo de patologia que a pessoa apresenta.

“Eu não tenho uma música específica para isto ou para aquilo. As pessoas perguntam-me muitas vezes que música é que eu uso nos tratamentos, mas a musicoterapia não funciona num regime de modelo médico como na medicina, em que há medicamentos para tratar as doenças”, disse.

O musicoterapeuta tem de fazer primeiro um levantamento dos dados da pessoa e das músicas que prefere.

“Um dos princípios pilares da musicoterapia é que não se estabelece contacto com ninguém para a obrigar a vir ao nosso sistema. Nós é que temos de ir descobrir que música é familiar à pessoa, em que estado mental se encontra, o tipo de personalidade, que problemas apresenta e só depois passamos ao tratamento”, explicou.

Todos os tipos de música, frisou Teresa Leite, sejam eles rock, clássica, hip hop ou “pimba”, podem ser usados nos tratamentos, têm é de ser da preferência da pessoa.

Na opinião de Teresa Leite, a música pode ajudar no tratamento de várias patologias porque é simbólica e recreativa, “com quem toda a gente tem uma relação mais ou menos próxima”.

“A pessoa pode não saber tocar nenhum instrumento, pode nunca ter aprendido música, mas todos nós temos preferências musicais, compramos os nossos CDs, ouvimos rádio, usamos a voz e nascemos e crescemos rodeados de ritmos, pelo que o ser humano tem capacidade para se envolver em experiências musicais”, sustentou.

Segundo a musicoterapeuta, a música tem potenciais físicos, cognitivos, relacionais, sociais, ocupacionais e espirituais.

“Todos nós temos ligações afectivas com a música ou através das memórias das músicas que a minha mãe me cantava ou porque determinada música me faz lembrar uma pessoa ou uma situação”, disse.

No que diz respeito às patologias que podem ser tratadas com musicoterapia, Teresa Leite indicou que podem ser várias, desde a depressão, o autismo, tratamento da dor, acidentes vasculares cerebrais, hiperatividade ou enfartes.

“Por exemplo, uma pessoa que sofreu um acidente vascular cerebral muitas vezes fica com sequelas motoras e cognitivas; aí vamos arranjar actividades de improvisação, de execução instrumental para trabalhar as motricidades para ajudar a pessoa a usar a mão ou a falar e até para facilitar a recuperação de memórias”, contou.

A musicoterapia pode também ser de grande auxílio no combate a problemas somáticos, como a dor.

“Há musicoterapeutas nos hospitais a ajudar as pessoas a fazer gestão da dor, quer pela via do relaxamento puro e simples quer por actividades de movimento com música que tornam o corpo relaxado”, disse.

Questionada sobre se nos tratamentos com musicoterapia são usados fármacos, Teresa Leite respondeu negativamente.

“Eu sou psicóloga, não tenho competências profissionais para medicar e por isso não uso fármacos, mas quando uma pessoa precisa de fármacos trabalho em colaboração com um médico”, salientou.

Quanto aos preços dos tratamentos, Teresa Leite reconhece que são caros, pois exigem continuidade, várias sessões.

“Tal como a psicoterapia, as sessões no privado de musicoterapia são caras, em torno dos 40/50 euros por sessão, pois é um trabalho que exige continuidade, é a médio longo prazo”, disse.

Dina Dias, Agência Lusa
© 2008 LUSA – Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2008-04-06 12:40:01

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Musicoterapia2018-12-16T13:02:28+00:00

Música e desenvolvimento

A ideia de que música é saúde já circula desde o século 6 a.C. Naquele tempo, Pitágoras já dizia que para o corpo e mente ficarem sintonizados com a harmonia do universo a receita era simples e eficiente: música e dieta vegetariana. Quanto à dieta há discussão, mas até os médicos já sabem que música ajuda a curar. A isso chama-se musicoterapia.

A definição oficial, da Federação Mundial de Musicoterapia, é longa. “É a utilização da música e/ou de seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) por um profissional qualificado, com um cliente ou um grupo, em um processo destinado a facilitar e promover comunicação, relacionamento, aprendizado, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes, a fim de atender às necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas. A musicoterapia busca desenvolver potenciais e/ou restaurar funções do indivíduo para que ele alcance uma melhor integração intrapessoal e consequentemente, uma melhor qualidade de vida, através de prevenção, reabilitação ou tratamento”. Ufa! Resumindo: o que será capaz de reunir crianças e adultos dançando em roda, completamente felizes e abandonados à brincadeira, senão a música?

Existem duas formas de proporcionar música a seu bebê: uma é ativa, em que você canta ou toca; a segunda utiliza músicas em sequências muito específicas, já gravadas – e atende àqueles que não se sentem aptos a tocar um instrumento. Em qualquer caso, o importante é que o bebê possa ser tocado enquanto ouve e tudo se transforme numa grande e prazerosa brincadeira, como convém às crianças.

Musicalizar o quotidiano. O verbo não existe, mas é usado pela música e professora Margarete Darezzo, que ensina música a bebés a partir dos quatro meses, com o significado de introduzir a música na vida da criança. Muitas vezes as mães fazem isso sem saber. Ao cantar uma antiga canção de ninar ou fazer brincadeiras tradicionais com seus bebés, as mulheres estão preparando seus filhos para as fases seguintes do aprendizado. Quando a música entra em cena, eles aprendem rápido, desenvolvem habilidades motoras e acabam expressando estruturas musicais antes mesmo de falar seu nome. Para completar, crianças que recebem estímulos musicais adequados (sem excesso ou escassez), aprendem a escrever mais facilmente e têm maior equilíbrio emocional.

Será a música um remédio divino? Depende. Sim, se for acompanhada de brincadeiras, de atenção às reações e limites de cada bebê. Não, se você entender que basta colocar um CD no quarto do bebê e ir assistir a novela das oito. Para as musicoterapeutas Lilian Coelho e Maristela Pires da Cruz Smith é preciso tomar cuidado com os efeitos “anestésicos”. A música pode ser tão calmante quando Valium e isso pode ser ruim, porque priva a criança de descobrir o mundo no qual acabou de chegar.

Esse efeito calmante acontece quando você usa o timbre agudo, com ritmo e altura bem marcados e persistentes. Isso leva a um estado alterado de consciência – que pode ser muito gostoso para os adultos, mas confunde os bebés, que ainda não têm referências claras de realidade. É exatamente esse o efeito do som de caixinha de música. Ela pode se usada, é boa e acalma. Segundo Lilian e Maristela, o som deve ser “bem colocado”, ou seja, fazer parte da história sonora da pessoa.

O que é isso? É tudo o que esse bebê, com sua pouca experiência, conhece de música desde que aprendeu a ouvir, no segundo mês de gestação. As musicoterapeutas preferem usar músicas que atendem à necessidade de cada indivíduo. No caso do bebê a coisa fica um pouquinho complicada, porque ele ainda não sabe falar do que gosta, nem tem independência suficiente para escolher o que quer. Nesse caso, a mãe tem uma saída muito interessante. Basta lembrar o que ouvia durante a gestação e lhe fazia bem (o que faz bem à mulher agrada ao bebê). “As mulheres têm necessidades sonoras durante a gestação – tanto como alimentares”, conta Maristela. “Existe uma comunicação inconsciente entre mãe e feto. E há a possibilidade de usar essa ligação com o bebê para satisfazer as necessidades sonoras dele. Basta sentir. Quando você coloca uma música que faz parte dessa experiência, você sente comunicação. E serão essas músicas que seu filho gostará depois de nascer.

O mais importante, no entanto, é que a criança tenha oportunidade de experimentar estímulos diferentes. Se a mãe utiliza sempre a caixinha de música – e só ela-, acaba limitando as possibilidades, não abre um mundo para exploração. “Devagar, você amplia o mundo visual. É importante que o mesmo aconteça com os estímulos sonoros”, diz Maristela. Se você ficar tentada em usar músicas de efeito calmante em seu filho nas horas de aperto, esqueça. Condicionar seu bebê desde pequenino pode trazer dores de cabeça ainda maiores depois. O melhor mesmo é niná-lo e cantar as cantigas que você conhece.

Brincando de Música. Pais de bem com a vida brincam de música com os bebês? Claro! Quem resiste a brincar com mãozinhas, pezinhos e bochechas pequeninas? Desde rimas e brincadeiras simples, até mostrar os dedinhos, a partir dos quatro meses valem todas as brincadeiras da época da vovó.

Quando a música encontra a brincadeira, os pequenos ficam felizes e vão se preparando para suas próximas fases de desenvolvimento. Ao longo dos anos que trabalha com bebés, Margarete já viu bebés de nove ou onze meses, que nem mesmo falavam, acompanharem suas rimas, e os movimentos correspondentes. Quando ele começar a gatinhar, permita que brinque com os sons, mostre diferenças.

Margarete recomenda ainda outro cuidado: usar instrumentos acústicos – seja tocando como no CD. Tudo porque quando você toca uma nota, ela vem com todos os timbres e reverberações das outras notas. Tem mais: de todos os elementos que compõem a música o ritmo é o mais importante. Bebés adoram ritmos pausados (próximos de um coração batendo tranquilo) e melodias suaves, em tons mais agudos.

Você pode ir experimentando o que seu filho gosta. Lembra aquela música que ouvia durante a gestação e dava uma paz enorme? Veja o que acontece quando seu bebê a escuta e como é maravilhosa a música.

Revista Crescer

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Música e desenvolvimento2018-12-16T13:02:46+00:00